Viagem da vida
Faz um tempo que uma viagem começou, colocamos os pés num avião chamado "família", a viagem começou sem nós saber, de mansinho, logo, na viagem uma nova integrante, o inicio turbulento, a vida que mudou o rumo, teve ventanias, tempestades e tudo que se imagina, e não era programado este percurso, logo a torre de comando nos alerta, da uns pitos, e alinhamos o caminho. A viagem seguiu por muito tempo, pois não tínhamos destino final, as vezes penso que na viagem da vida o destino final é a morte, mas acho que nem sempre é, tem portas se abrindo, e portas se fechando na vida que estão mostrando que o contexto é bem maior. Enfim, como nossa viagem não tinha rumo, e ficar num avião pequeno é claustrofóbico, começamos a endoidar, e aqui nosso avião é abastecido com amor, que como estava voando a muito tempo sem pouso seguro, foi gastando todo combustível, e estava chegando ao fim, pois o combustível que ainda abastecia a nossa viagem da vida, era o amor da integrante mais nova, e no desespero, de cabeça quente, resolvi pular, foi o pulo mais insano, porque o coração quebrou, e nem amor próprio consegui abastecer, sentia que tudo estava errado. Chegando no fundo do poço achei forças, e num salto com todas energias, tentei me pendurar no avião da nossa família, onde as duas estava lá, também perdidas e sem rumo. Esse impulso no inicio me encheu de forças de vontades, e tentei dar meu melhor, mas logo, a reação foi baixa e essa motivação não foi infinita, tudo voltou a base da insanidade amorosa, e dispersos ficamos, mas agora foi diferente, não tive coragem de pular, não tive coragem de me mover, fiquei inerte, com medo, receio, não sei descrever todas as palavras que invadiram meu coração com insegurança. Um adendo ao inverno do seu coração, todo mundo na vida tem ciclos, e o meu é em abril, reinicia tudo, é um mes escuro, e cheio de introspecção, e nele tomei a decisão no passado, e agora aceitei o que foi decidido. Realmente não sei o que é certo, ou melhor, pra todos. Talvez a imagem de família que vislumbra nossos pensamentos são distintas. Talvez o amor não seja suficiente pra aguentar a rotina. Ou quem sabe, a dor, faz parte, de um estado da arte pra crescermos como seres humanos, e provermos o melhor de nós pra quem será o espelho das nossas almas, nossa filha. No fim, só espero que o amor por ela perpetue, que as dores sejam esquecidas, que os caminhos se cruzem como deve ser, com harmonia, com felicidade.
Assinado por passageiro que inerte, e com medo vê o avião cair, na espera de que o final, mesmo que sem partes de mim, dos meus sentimentos, me faça crescer e ser um principalmente um pai, que orienta e mostra a coisa certa pra nossa filha. Cambio, desligo.
BRENTANO, Natanael Fernando Gatti. Viagem da vida. In: Poemas Brasileiros, 2026. Disponível em: <https://nfgbrentano.art.br/poema/viagem-da-vida/>. Acesso em: 23/10/2026.
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